Desenvolvedor web: 9 passos para uma carreira de sucesso

Você já pensou na importância dos profissionais que se dedicam a construir e manter os sites de maior qualidade da internet? É pelas mãos de um desenvolvedor web — ou melhor, pelas linhas de código escritas por ele — que as mais diversas páginas e sistemas acessíveis por meio de um navegador ganham forma.

Já que vivemos em plena era digital, empresas interessadas em ter destaque no mercado precisarão, direta ou indiretamente, de especialistas na área de desenvolvimento. Não é à toa que o interesse por ingressar nessa carreira vem aumentando consideravelmente, inclusive entre pessoas com profissões já estabelecidas, mas que procuram a realização em outra ocupação.

Por isso, separamos os passos mais importantes para o sucesso caso você tenha interesse em trabalhar com o desenvolvimento web. Boa leitura!

1. Saiba como é a rotina de um desenvolvedor

Dependendo da iniciativa em que o desenvolvedor web atua, sua rotina pode variar um pouco — afinal, cada projeto tem as suas restrições de escopo, prazo, orçamento, entre outras especificidades. Contundo, existem características comumente presentes entre esses programadores, além de escolhas que eventualmente eles precisarão fazer ao longo da carreira. Confira alguns desses aspectos:

1.1. Função

O desenvolvedor web é responsável por arquitetar, criar, testar e prestar manutenção a sites, blogs, e-commerces, portais, sistemas e outras aplicações acessíveis por um browser de internet. Para hospedar esses serviços, é necessário cuidar da infraestrutura — algo que, dependendo da situação, também fará parte das funções desse profissional.

1.2. Habilidades

Além do conhecimento técnico de computação e de tecnologias voltadas para a web, é fundamental que o desenvolvedor tenha estas habilidades muito bem desenvolvidas:

  • criatividade;
  • disposição;
  • trabalho em equipe.

Ainda que a programação exija uma boa capacidade de lógica e raciocínio, ela se baseia essencialmente em resolver problemas. E nada como uma mente criativa para encontrar soluções inovadoras ou até mesmo incomuns para as exigências de implementação.

Imagine que o gerente de projeto queira alternativas para apresentar para um cliente que tenha apenas uma loja física, mas que deseja iniciar as vendas nos canais digitais. O desenvolvedor web pode pensar em um e-commerce comum, mas também oferecer a criação de um chatbot para conversar com os consumidores por texto ou voz.

Para lidar com esses desafios e com as constantes mudanças das tecnologias (veremos esse fator com mais detalhes adiante), é preciso ter disposição para se superar a cada dia e se manter sempre atualizado. Por esse motivo, estudar é uma das atividades mais pertinentes para o desenvolvedor web, assim como procurar frequentar eventos, workshops e palestras da área para se manter atualizado.

Também é preciso ter a mente aberta para se aprofundar em temas de áreas totalmente diferentes dos seus interesses. Isso porque, muitas vezes, o contexto de negócio do software em que o desenvolvedor trabalha vai envolver disciplinas que ele nunca estudou. É o caso de implementar um sistema de pagamento online: será necessário estudar mais sobre finanças, operações de cartão de crédito, emissão de boletos, análise de risco, etc.

No que diz respeito ao trabalho em equipe, vale destacar que um sistema web pode ter muitas camadas, integrar diversos serviços e usar conceitos de várias disciplinas. Isso demanda que o profissional tenha competências para colaborar com outras pessoas cuja visão de mundo pode ser bastante diferente.

1.3. Opções de atuação

Além de haver a possibilidade de atuar em empresas, o programador também pode fazer trabalhos como freelancer (em complemento ao seu emprego ou não) ou se dedicar a um projeto pessoal, que eventualmente pode se transformar em uma startup ou negócio próprio.

Isso varia de acordo com as preferências pessoais, a vontade de evoluir na carreira de desenvolvedor web e as oportunidades que aparecem ao longo da jornada. Há quem prefira a segurança e o ambiente de uma organização, ou quem opte por lidar com o cliente e ter horários flexíveis e, ainda, aqueles que aceitam o risco de começar um novo negócio para obter um retorno maior a longo prazo.

1.4. Mercado de trabalho

Com o uso crescente da internet, especialmente em dispositivos móveis, e a disseminação de serviços web com inúmeras finalidades, a demanda por desenvolvedores web só tende a aumentar. Trata-se de uma profissão com salários acima da média, diferentes alternativas para especialização e opções interessantes, de acordo com o perfil do especialista.

Lembrando que a carreira de desenvolvedor (seja web ou não) conta com uma grande vantagem competitiva: em períodos de crise, também há uma grande procura por esses profissionais. Como os negócios buscam otimizar seus processos ou automatizar as tarefas como alternativa de sobreviver no mercado, a dependência de softwares específicos aumenta. Consequentemente, a demanda por pessoas capazes de estruturá-los e gerenciar seu bom funcionamento também cresce.

2. Invista na carreira e torne-se um desenvolvedor web de sucesso

Para ser um desenvolvedor web bem-sucedido, o maior investimento que você pode fazer é na sua educação. Nesse sentido, é possível seguir o caminho do ensino formal, em uma graduação, fazer cursos especializados ou utilizar suas habilidades autodidatas para aprender com tutoriais, documentação, livros e outros materiais.

As universidades e faculdades pelo Brasil oferecem formações completas, como nas áreas de:

  • ciência da computação;
  • engenharia de computação;
  • sistemas de informação;
  • gestão da tecnologia da informação.

Os currículos delas têm algumas diferenças, mas todas deverão ter disciplinas de programação.

Se você prefere estudar com suporte de instituições que oferecem ensino online, existem muitas opções no mercado. Plataformas como Coursera, edX, Udacity e Udemytêm excelentes cursos — alguns grátis, inclusive. Apesar de serem programas que não oferecem diploma, contam com a vantagem de serem mais diretos e muito mais rápidos de concluir que uma graduação.

Vale lembrar que muitos desses cursos são originalmente orientados para o mercado dos Estados Unidos e nem sempre terão uma versão adaptada para o português, o que exige o domínio da língua inglesa.

Mas o profissional também pode optar por estudar por conta própria com livros sobre programação e materiais disponíveis gratuitamente na internet. É possível encontrar tutoriais das mais variadas tecnologias, mas a maior parte deles estará em inglês, o que reforça a necessidade de conhecer bem o idioma.

3. Mantenha-se atualizado sobre as novidades da área

Mais que dar valor aos programadores experientes, o mercado tem percebido a importância dos desenvolvedores que possuem facilidade de aprender e se adaptar às transformações pelas quais o mundo digital passa regularmente. Durante um ano, um número considerável de tecnologias são criadas ou otimizadas, e cabe ao profissional se atualizar para não ficar para trás.

Existem diversos frameworks para organizar e facilitar a construção de projetos com a linguagem JavaScript, por exemplo. Mesmo que você tenha experiência com ela, entrar em um projeto que use um framework com o qual nunca trabalhou antes vai demandar algum esforço de aprendizado. Sem falar que novas metodologias de desenvolvimento podem — e certamente vão — surgir ao longo da sua carreira.

Pegue o exemplo do React, que foi criado em meados de 2013 e, desde então, vem passando por uma série de updates, enquanto o JavaScript em si foi inventado em 1995. Essa biblioteca é mantida pelo Facebook e sua popularidade está aumentando, especialmente na criação de aplicações web, mobile, de realidade virtual, de smart TVs e de videogames.

O mesmo vale para tecnologias que não estão totalmente incorporadas ao desenvolvimento web, mas que possam ganhar uma relevância maior para a área no futuro. Foi o que aconteceu com a cloud computing e, quem sabe, venha a acontecer com a realidade aumentada, a inteligência artificial, a blockchain, entre outras.

É por isso que é válido conferir as notícias do setor constantemente e acompanhar blogs de programação para ficar por dentro das novidades.

4. Busque capacitação constantemente

Às vezes, estudar uma nova linguagem, biblioteca, ou framework por conta própria não é suficiente. É preciso fazer treinamentos e tirar certificações para ter o devido reconhecimento de que você domina aquele assunto.

Se achar que uma tecnologia exerce um papel de destaque na sua rotina como desenvolvedor, avalie se tem condições de estudar e pagar por uma certificação. Todo o processo certamente fará você evoluir como profissional e valorizará muito o seu currículo.

Portanto, fique atento às demandas do mercado e pesquise sobre as certificações disponíveis. Há provas até mesmo para profissionais que queiram ter o certificado em aspectos um pouco afastados das particularidades de uma tecnologia, como a qualidade de software, as metodologias de desenvolvimento ágil e o gerenciamento de projetos.

5. Monte um portfólio de qualidade

Uma das melhores maneiras de demonstrar que você tem experiência a alguém que não lhe conhece é montando o seu portfólio. Mesmo que esteja em busca do primeiro emprego ou de oportunidades como freelancer, inclua projetos pessoais ou trabalhos relevantes da faculdade, por exemplo, porque eles ajudarão a mostrar o quanto você é competente e tem vontade de trabalhar.

Além disso, procure participar de iniciativas open source, principalmente em projetos de seu interesse. Por exemplo, você pode se dedicar a um navegador web específico ou a uma linguagem de programação na qual pretende se especializar.

Sendo assim, algumas opções são:

  • montar um site próprio, falando sobre você, disponibilizando seu currículo e trabalho;
  • usar um blog para divulgar assuntos do seu interesse e seus projetos;
  • disponibilizar seus códigos publicamente no repositório GitHub — desde que eles não tenham objetivos comerciais -, para que possíveis clientes ou empregadores possam avaliar sua habilidade de programar;
  • contribuir com parte do código de um projeto open source, assim como auxiliar na documentação, na condução de testes e na indicação de bugs.

Conforme for progredindo na carreira, não se esqueça de manter o portfólio atualizado, afinal, ele pode atrair oportunidades mesmo quando você não estiver procurando ativamente por um novo trabalho. Lembrando que o LinkedIn também é uma excelente plataforma para recrutadores encontrarem pessoas de acordo com as suas competências, portanto, dê atenção a essa rede e inclua um link para o seu portfólio quando cadastrar o perfil.

6. Construa um bom networking

E já que estamos falando de oportunidades, não podemos esquecer que uma carreira de sucesso também depende bastante dos contatos que você faz durante a sua jornada. Logo, vale a pena prestar atenção nos relacionamentos que constrói por onde passa (faculdade, fóruns, eventos, empresas, etc.), inclusive no que diz respeito a pessoas de áreas diferentes da sua.

Colegas e amigos do mesmo ramo de atuação de fato podem indicá-lo quando souberem de uma oportunidade, mas quem pertence a outras áreas pode lembrar de você quando precisar de ajuda em um novo projeto (ou algo do gênero). Como eles não estão inseridos no ambiente de computação, entrarão em contato com uma pessoa em quem confiam e que sabem que atua no campo.

Outra vantagem de construir um bom networking está na troca de experiências. Isso é muito frequente em eventos, em que os participantes costumam ter interesses em comum e momentos de interação para conectar com novas pessoas, como o coffee break. Prepare o seu cartão de visita e aproveite esses encontros para aprender com quem já é mais experiente que você — e não se esqueça de também compartilhar o seu conhecimento!

7. Aproveite para ganhar experiência enquanto estuda fazendo estágios

Se você decidiu se dedicar aos estudos formais, é muito importante que separe um tempo significativo para colocar o seu aprendizado em prática — algo que vá um pouco além do necessário para ter boas avaliações nas disciplinas. Fazer isso por conta própria é perfeitamente válido, mas a possibilidade de participar de um estágio também deve ser uma alternativa a considerar.

A ideia de estagiar é conseguir uma vivência que você dificilmente conseguiria trabalhando sozinho. Haverá o contato com outros profissionais, um ambiente provavelmente bem diferente daquele com o qual você está acostumado, além de novas obrigações e responsabilidades.

Você vai participar de projetos que visam resolver problemas de clientes reais, o que significa que as tarefas serão mais desafiadoras do que você imagina. Será possível entender como uma equipe consegue trabalhar em cima de um mesmo software sem que as atividades de uma pessoa prejudique as atividades de outra.

Contudo, tenha em mente que você não estará sozinho. Se estiver estagiando em uma boa empresa, certamente haverá pessoas dispostas a te ajudar. É claro que isso pressupõe que você tentará ser sociável como elas, o que também servirá como um treino para praticar suas habilidades de comunicação.

Por fim, essa experiência vai ensiná-lo a se comportar diante de indivíduos que estão em uma posição de liderança. Por mais que um gestor ou chefe possa vir a se tornar um verdadeiro amigo no futuro, no que diz respeito a trabalho, a relação entre vocês exige uma postura profissional.

Enfim, enxergue o estágio como um passo importante na sua trajetória, e não como uma obrigação. Depois de aprender tudo isso, pode ser que você seja efetivado mais para a frente se tiver um bom desempenho e quiser permanecer na empresa.

8. Estabeleça uma rede de clientes com trabalhos freelance

Precisamos considerar que programadores freelancers também têm acesso a experiências tão interessantes quanto essas que vimos na seção anterior, ou até superiores. Vai depender muito das pessoas com quem você lida, dos seus mentores e, evidentemente, da sua base de clientes.

Há empresas que nem sequer têm um time de tecnologia, mas contam com trabalhadores autônomos para fazerem intervenções pontuais nos seus sites ou aplicações web. O mesmo vale para novos negócios, que não têm capital suficiente para manter uma equipe de TI justamente porque ainda estão começando as atividades.

Fique atento também às necessidades de pessoas físicas e microempreendedores. Eles podem precisar de soluções como um site com uma experiência mais agradável para o usuário, uma forma de aumentar a velocidade de carregamento das páginas do blog pessoal ou mesmo a automação de algum processo do dia a dia com auxílio da web.

E, finalmente, esteja preparado para quando o cliente pedir a indicação de uma empresa para o registro de domínio, a hospedagem, a configuração do certificado SSL e outros serviços de infraestrutura. Dê preferência a uma organização sólida, que já atue há bastante tempo no mercado e ofereça suporte especializado 24/7.

Não tem ideia de onde conseguir os seus primeiros freelances? Então, saiba que existem diversos serviços voltados para conectar quem precisa de um desenvolvedor web a um programador freelancer. O Freelancer, o Workana e o GetNinjas são bons exemplos.

9. Especialize-se em uma modalidade da profissão

O desenvolvimento de um projeto web precisa de programadores que cuidem do funcionamento da parte visual, do código que faz todo o processamento de dados antes de entregar as informações para a interface e também da infraestrutura. Eventualmente, toda a experiência e competência desses profissionais favorece a possibilidade de ocuparem um cargo de maior liderança.

Confira quatro das modalidades mais conhecidas em que um desenvolvedor web pode atuar.

9.1. Frontend

O frontend é toda a parte de apresentação das páginas. Nada mais é que a camada que aparece para o usuário — aquela com que ele de fato interage com o site. Para construí-la, é necessário ter conhecimentos principalmente de HTML, CSS e JavaScript, mas noções de integração de sistemas, uso de bibliotecas e frameworks de desenvolvimento também são bem-vindas.

Como o desenvolvedor frontend trabalha muito com o aspecto visual, é interessante que ele tenha familiaridade com os conceitos de design e de UX design para oferecer a melhor experiência possível aos visitantes. Isso envolve questões que vão desde a facilidade de usar as funcionalidades até fatores como a responsividade — a capacidade de o site se adaptar ao tamanho da tela do usuário.

Vale observar que conhecer técnicas e estratégias de Search Engine Optimization (SEO), ou otimização de sites para mecanismos de busca, é um diferencial. Como diversos aspectos do código HTML e da formatação podem impactar o posicionamento das páginas web em buscadores como o Google, um trabalho adequado do desenvolvedor frontend é fundamental.

9.2. Backend

Cabe ao desenvolvedor backend trabalhar na ponta oposta. É ele que vai construir a estrutura responsável pelo processamento e manipulação das informações, além da comunicação com o banco de dados (BD) e, possivelmente, outros serviços. Para cumprir esses tarefas, algumas das linguagens de programação mais usadas no mercado são JavaScript (Node.js), Python, Ruby, Java e PHP.

No que se refere ao BD, saber lidar com um sistema de gerenciamento de banco de dados é crucial. Alguns exemplos são PostgreSQL, MySQL, SQL Server e Oracle. Sem contar que o desenvolvedor deve entender de modelagem de dados e conhecer os métodos de fazer e otimizar as consultas ao banco.

Também cabe ao programador backend cuidar da parte da infraestrutura do site, o que inclui o gerenciamento de servidores, redes, monitoração e mais. Sua função é garantir que as páginas web tenham uma boa velocidade de carregamento, estejam disponíveis sempre que o usuário acessá-las, suportem o número de visitas sem sair do ar, entre outros.

9.3. Full stack

O desenvolvedor full stack é aquele que reúne os conhecimentos necessários para programar tanto no front quanto no backend. Seguir nessa linha é bom tanto para o indivíduo, que não fica limitado a oportunidades apenas em uma das modalidades que vimos acima, quanto para a empresa, que consegue um especialista que praticamente vale por dois.

Além de todo o entendimento técnico sobre o funcionamento do sistema web na interface e no servidor, o programador full stack deve estar preparado para alternar frequentemente entre o front e o backend. Se houver uma preferência muito maior por um dos lados, talvez essa rotina gere frustração e obrigue a pessoa a dedicar a carreira a apenas uma das modalidades.

9.4. Gerente de projetos

A atividade de gerenciar projetos de software não precisa necessariamente ser realizada por um programador ou uma pessoa com formação na área de computação. Porém, se ela já tiver uma experiência como desenvolvedor, terá melhores condições de direcionar as tarefas da equipe e até propor soluções para a implementação do sistema de maneira mais eficiente.

É claro que seguir esse caminho demanda habilidades relacionadas a liderança, organização, negociação e muito mais, mas todos eles podem ser treinados ao longo da carreira do programador, caso ele realmente queira ocupar uma posição de gestão.

Portanto, se você tem vontade de seguir a carreira de desenvolvedor web, não deixe para depois. Use todas as informações que listamos aqui a seu favor e comece já a dar os seus primeiros passos. É uma área com o poder de impactar positivamente a sociedade, mudando para melhor a vida das pessoas que interagem cada vez mais com o digital.

Agora que você percebe o quanto o desenvolvimento web é um campo promissor e entende a importância de se manter atualizado, fique por dentro das nossas dicas e das tendências que podem afetar a rotina dos profissionais da área. Assine já a nossa newsletter!