Gerenciamento de risco no desenvolvimento de softwares: como fazer?

Uma pesquisa realizada por um laboratório de cibersegurança indica que, só em 2018, o número de ataques cibernéticos praticamente dobrou no Brasil. Foram detectados mais de 120 milhões de links maliciosos apenas no primeiro semestre do ano. Portanto, fazer um gerenciamento de risco robusto e tratar as ameaças iminentes ainda no desenvolvimento de softwares é algo primordial.

Essa é uma realidade que, atualmente, ainda encontra certa resistência por parte dos programadores. Ainda que seja crescente a busca por um desenvolvimento ágil, é essencial classificar os possíveis riscos e determinar ações para que a displicência atual não seja razão para uma crise futura na empresa.

Quer entender como pode ser realizado o gerenciamento de risco no desenvolvimento de softwares? Continue a leitura deste post!

Gerenciamento de risco: entenda sua importância no desenvolvimento de softwares

Os perigos de uma atividade relacionada à tecnologia só acabam quando ela termina. De acordo com o Relatório de Riscos de 2018, os ataques cibernéticos são um dos principais motivos de contratempos para as empresas. Por isso, é latente a preocupação com os possíveis impactos que eles podem causar — até mesmo em escala global.

Para alguns desenvolvedores, o gerenciamento de risco é associado a metodologias antigas, como Waterfall (o modelo em cascata). No entanto, se os riscos não são tratados, provavelmente se transformam em um problema.

Esse, aliás, é um assunto que nunca acaba. As empresas que se preocupam com a segurança dos processos de desenvolvimento de softwares estão constantemente debatendo novas ameaças. Da mesma forma, avaliam aquelas que já existem e que, por isso, devem ser monitoradas.

O desenvolvedor muitas vezes não participa ativamente do gerenciamento de risco, mas é interessante que ele seja um personagem central nesse processo — uma vez que ele é capaz de enxergar perigos que outros profissionais como os coordenadores dos projetos e os product owners (PO) podem não perceber.

Além disso, esse deve ser um ponto central no desenvolvimento de softwares, assim como priorizar a análise das ameaças.

Saiba por que é preciso priorizar a gestão de risco

É ideal que o processo de gerenciamento de risco seja realizado antes mesmo do início das atividades de determinado desenvolvimento, mas é essencial que o cuidado siga até o fim de todas as etapas.

Muitos riscos são descobertos durante o desenvolvimento — e é fundamental incluí-los, monitorá-los e pensar em ações que possam trazer soluções.

Como fazer: gerenciamento de risco no desenvolvimento de softwares

Existem algumas formas de realizar a gestão de risco no desenvolvimento de softwares com metodologias ágeis, o Kanban sugere inclusive uma cadência específica para tratar este assunto denominada “Risk Review”.

Para que isso é feito? Na revisão de riscos, todos os riscos dos serviços que estão sendo desenvolvidos são classificados. A partir disso, as ações indicadas para tal cenário são definidas.

O método pode se basear na gestão de riscos tradicional, com foco na análise de probabilidade e impacto. Em todas as demandas do backlog (as requisições em aberto) — principalmente aquelas que estão próximas de iniciar o ciclo de desenvolvimento — pode-se refletir sobre o que há para ser feito e quais são os riscos dessa ação.

Probabilidade é a chance de um risco tornar-se um problema depois de identificado. Na análise inicial essa probabilidade é classificada entre 1 e 5, sendo 1 uma probabilidade baixa do risco virar problema e 5 uma probabilidade alta.

Impacto é a consequência do que pode acontecer se um risco se materializar, e também é classificada entre os números 1 e 5.

Depois da análise de probabilidade e impacto, é multiplicado um número pelo outro e os mais altos têm tratamento priorizado.

Também é importante compreender que os riscos no desenvolvimento podem ser classificados de três maneiras principais:

  1. riscos tecnológicos;
  2. operacionais;
  3. financeiros.

Como esse risco impacta a rotina dos desenvolvedores e dos envolvidos em um projeto? Falaremos sobre isso a seguir.

Como aplicar a gestão de riscos para desenvolvedores

As etapas do gerenciamento de risco são divididas em alguns momentos. São eles:

  1. identificação do risco;
  2. análise da ameaça;
  3. ação com relação ao problema;
  4. monitoramento.

Ainda que para os desenvolvedores os riscos possam ser controlados, eles não podem ser ignorados. A aquisição de equipamentos, por exemplo, pode ser necessária para colocar determinado sistema no ar.

Um exemplo é quando os valores para compra estão atrelados ao dólar. É possível monitorar o mercado, observar tendências e até mesmo antecipar ou atrasar a aquisição dos equipamentos — por meio de uma ferramenta de gerenciamento de riscos.

Por isso, é essencial avaliar os riscos em um trabalho conjunto. Quando é realizado o desenvolvimento de um projeto para a área financeira, por exemplo, devem ser analisados alguns pontos.

  • Há algum risco que possa afetar o dia a dia do cliente?
  • Possíveis ameaças podem gerar problemas de ordem financeira para a empresa?
  • Há tecnologia disponível para a concretização do projeto?

Esses são alguns exemplos de tipos de riscos a serem analisados no desenvolvimento de softwares.

Como o desenvolvedor pode cuidar das muitas ameaças? Entenda o gerenciamento de risco a partir das melhores práticas e tendências do mercado listadas a seguir.

Melhores práticas: vantagens e benefícios da gestão de risco para o desenvolvedor

Como falado anteriormente, a classificação auxilia na priorização dos riscos. É assim que pode-se perceber o que deve ser tratado primeiro. Além de priorizar, é necessário avaliar o que deve ser feito em cima dos riscos encontrados — essas são boas práticas.

As ações podem ser classificadas de 4 maneiras, assim como na gestão tradicional de riscos:

  • mitigação;
  • transferência;
  • eliminação;
  • aceitação.

Mitigação

Uma empresa que está desenvolvendo um software e deve contar com um fornecedor pode se resguardar ao buscar um parceiro estratégico que tenha uma disponibilidade Service Level Agreement (SLA) de 99,9%. Dessa forma, a probabilidade do risco é reduzida, mas não o impacto. Por isso, trata-se de uma mitigação.

Outra forma de mitigar seria ter um segundo fornecedor alinhado para contingência. Ou seja, se um serviço utilizado alinhado a um software ficar fora do ar, automaticamente há uma segunda opção.

Depois de definida a ação, a probabilidade é reclassificada, assim como o impacto de algo acontecer. Por fim, assim é possível saber se o risco, de fato, diminuiu.

Transferência

A transferência é uma gestão mais complicada. Quando há um risco financeiro por algum motivo, pode-se adquirir um seguro contra isso, por exemplo. Dessa forma, acontece uma transferência de risco, pois ele deixa de ser da empresa e passa a ser da seguradora — que pode vir a arcar com os possíveis prejuízos.

Eliminação

A eliminação é quando, depois de um tempo analisando o risco, é decidido por eliminá-lo de alguma forma que não prejudique o projeto, isto é, ele não tem mais probabilidade de acontecer ou seu impacto caso ocorra é zero.

Aceitação

Por último, existe a aceitação, que é quando não há o que fazer. É necessário aceitar o risco, conviver com ele e pensar em um plano de contingência. Isso mostra a compreensão de que o risco pode se tornar um problema.

Isso acontece, essencialmente, quando a questão foge do nível de atuação dos envolvidos e está atrelada a riscos de mercado, econômicos ou sociais.

É comum que o desenvolvimento de risco seja ignorado e que, por isso, vire um problema apenas depois que algo de grave aconteça. No entanto, é essencial que a equipe responsável pelo projeto sempre tenha em mente que um risco que se materializa vira um problema a ser solucionado por um plano de contingência — algo também a se estruturar. Isso é positivo para a fidelização de clientes. O gerenciamento de risco auxilia na construção de projetos mais estruturados e centrados em bons resultados.

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